Áreas de atuação do psicologo
- 19 de jun. de 2016
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A Psicologia, como uma profissão que atende a demandas variadas em diferentes contextos, visando em todos a promoção da saúde e da qualidade de vida, possui ao lado das áreas de atuação ditas tradicionais (Psicologia Escolar Educacional, Psicologia Organizacional e do trabalho, Psicologia Clínica, Psicologia Hospitalar/ Saúde, Psicologia Jurídica, Psicologia Social Comunitária e a Docência em Psicologia), além de outras que começam a configurar-se em áreas emergentes no mercado de trabalho.
Baseado nas Resoluções 014/2000 e 02/2001 do Conselho Federal de Psicologia e em documento elaborado por este para integrar o Catalogo Brasileiro de Ocupações do Ministério do Trabalho, abaixo se caracteriza a atuação do psicólogo nas seis áreas tradicionais:

Psicologia Educacional
O psicólogo educacional atua aplicando conhecimentos psicológicos, a partir de uma perspectiva interdisciplinar e multiprofissional, envolvendo todos os segmentos do processo educacional (escola-comunidade), objetivando a prevenção e a promoção da saúde psicológica e da qualidade de vida nos contextos educacionais, abrangendo indivíduos, grupos e organizações.
Suas ações envolvem:
Avaliação/Diagnóstico: utilização de métodos, técnicas e instrumentos psicológicos, que permitam análises e intervenções psicopedagógicas;
Pesquisa: investigações acerca da realidade educacional, visando desenvolver a produção científica na área;
Intervenção: ações que visam dinamizar as relações intra e inter pessoais e facilitar o processo ensino-aprendizagem em seu desenvolvimento integral, a partir da implementação de programas de orientação profissional; da orientação e aplicação de programas educacionais, que viabilizem a inclusão do indivíduo portador de necessidades especiais e; da contribuição para a reformulação de currículos, projetos pedagógicos e políticas educacionais;
Consultoria: prestação de serviços psicológicos à comunidade educacional, em relação às atividades citadas acima, como profissional autônomo.
Psicologia Organizacional e do Trabalho
O psicólogo organizacional e do trabalho intervém aplicando conhecimentos, métodos e técnicas psicológicas que levam a uma ação interdisciplinar e multiprofissional, permitindo uma análise crítica da realidade política e social, apontando para a preservação da saúde mental e da cidadania do trabalhador.
Suas ações envolvem:
Planejamento, desenvolvimento, diagnóstico e orientação na área da saúde do trabalhador;
Consultoria interna e externa, participando do desenvolvimento das organizações sociais com o objetivo de facilitar os processos grupais e de intervenção psicosocial;
Atividades de pesquisa, planejamento, execução e avaliação de programas de desenvolvimento de recursos humanos, em parceria com diferentes categorias profissionais;
Atuação na relação capital e trabalho, objetivando reconhecer e intermediar a resolução de conflitos organizacionais;
Atuação na captação, treinamento, avaliação e capacitação dos recursos humanos.
Atuação em programas de recolocação profissional.
Psicologia Clínica
O Psicólogo Clínico atua na avaliação, intervenção e reabilitação psicológica em diversos contextos, visando o desenvolvimento do bem estar do indivíduo, a partir da compreensão crítica e reflexiva da complexidade e da subjetividade humana.
O Psicólogo Clínico desenvolve seu trabalho em consultório particular, nos serviços público e privado de atendimento à saúde em diferentes contextos institucionais. Sua conduta deve ser norteada por princípios éticos, pela escolha e utilização consistente de um referencial teórico-metodológico da ciência psicológica e pela interlocução com profissionais de áreas afins, considerando a especificidade de cada situação.
O Psicólogo Clínico utiliza diversos métodos, técnicas e instrumentos psicológicos para efetivar o estudo, a avaliação, a orientação e o prognóstico psicológico, sendo que suas intervenções visam contribuir para o desenvolvimento de mudanças que garantam benefícios nos macro e micro sistemas no qual o indivíduo está inserido.
Suas ações envolvem:
Atendimento psicoterápico nas modalidades individual, grupal, casal e familiar e sexual;
Psicoterapia de apoio em contextos institucionais;
Supervisão a outros psicólogos clínicos;
Terapia psicomotora;
Orientação a grupos específicos tais como pais, crianças, adolescentes, adultos ou de terceira idade, gestantes, pacientes portadores de distúrbios de aprendizagem;
Avaliação psicodiagnóstica;
Elaboração e condução de investigações dos processos e fenômenos psicológicos.
Psicologia da Saúde
O Psicólogo da Saúde atua na prevenção das doenças mentais prevalentes, na promoção e reabilitação da saúde em organizações governamentais, não governamentais e privadas.
Suas ações envolvem:
Atendimento e acompanhamento a usuários e seus familiares, nas modalidades individual e grupal, em unidades básicas de saúde, unidades de referência especializadas e hospitais públicos e privados;
Atendimento e acompanhamento domiciliar (home care);
Avaliação neuropsicológica;
Avaliação de reação adaptativa;
Interconsulta;
Humanização da assistência em saúde;
Facilitação da relação profissionais de saúde-usuários;
Pesquisa na área da saúde;
Elaboração, execução e avaliação de políticas públicas em saúde;
Consultoria nas atividades acima.
Psicologia Social Comunitária
O Psicólogo Social atua junto a organizações comunitárias, instituições de saúde, instituições jurídicas, de direitos humanos e sindicatos, aplicando os conhecimentos, os métodos e técnicas psicológicas que levam a uma ação interdisciplinar e multiprofissional, permitindo uma análise crítica da realidade política e social, contribuindo para a prevenção de agravos, promoção da saúde, dos direitos humanos e da cidadania.
Suas ações envolvem:
Planejamento, avaliação, diagnóstico e execução de políticas públicas e programas comunitários;
Mediação e facilitação do processo de intervenção da equipe multiprofissional, nos contextos acima citados, privilegiando o processo grupal;
Pesquisa no âmbito social e comunitário;
Consultorias, assessorias e supervisão a organizações governamentais, não governamentais e privadas.
Docência em Psicologia
O docente de Psicologia atua no ensino do acervo de saberes erigidos pela ciência psicológica, como componente da formação e qualificação profissional básica e continuada de educadores, junto às redes de ensino fundamental e médio; de profissionais que lidem com recursos humanos e dos demais profissionais da área da Saúde.
O docente de Psicologia atua ainda na formação de futuros profissionais psicólogos, a partir de reflexões e discussões acerca do desenho curricular de projetos pedagógicos nas instâncias formadoras/universidades, do ensino de disciplinas e da supervisão de práticas e estágios supervisionados.
Psicólogo especialista em Neuropsicologia:
Atua no diagnóstico, no acompanhamento, no tratamento e na pesquisa da cognição, das emoções, da personalidade e do comportamento sob o enfoque da relação entre estes aspectos e o funcionamento cerebral. Utiliza-se para isso de conhecimentos teóricos angariados pelas neurociências e pela prática clínica, com metodologia estabelecida experimental ou clinicamente. Utiliza instrumentos especificamente padronizados para avaliação das funções neuropsicológicas envolvendo principalmente habilidades de atenção, percepção, linguagem, raciocínio, abstração, memória, aprendizagem, habilidades acadêmicas, processamento da informação, visuoconstrução, afeto, funções motoras e executivas. Estabelece parâmetros para emissão de laudos com fins clínicos, jurídicos ou de perícia; complementa o diagnóstico na área do desenvolvimento e aprendizagem. O objetivo teórico da neuropsicologia e da reabilitação Neuropsicológica é ampliar os modelos já conhecidos e criar novas hipóteses sobre as interações cérebro-comportamentais. Trabalha com indivíduos portadores ou não de transtornos e seqüelas que envolvem o cérebro e a cognição, utilizando modelos de pesquisa clínica e experimental, tanto no âmbito do funcionamento normal ou patológico da cognição, como também estudando-a em interação com outras áreas das neurociências, da medicina e da saúde. Os objetivos práticos são levantar dados clínicos que permitam diagnosticar e estabelecer tipos de intervenção, de reabilitação particular e específica para indivíduos e grupos de pacientes em condições nas quais: a) ocorreram prejuízos ou modificações cognitivas ou comportamentais devido a eventos que atingiram primária ou secundariamente o sistema nervoso central; b) o potencial adaptativo não é suficiente para o manejo da vida prática, acadêmica, profissional, familiar ou social; ou c) foram geradas ou associadas a problemas bioquímicos ou elétricos do cérebro, decorrendo disto modificações ou prejuízos cognitivos, comportamentais ou afetivos. Além do diagnóstico, a Neuropsicologia e sua área interligada de Reabilitação Neuropsicológica visam realizar as intervenções necessárias junto ao paciente, para que possam melhorar, compensar, contornar ou adaptar-se às dificuldades; junto aos familiares, para que atuem como co-participantes do processo reabilitativo; junto a equipes multiprofissionais e instituições acadêmicas e profissionais, promovendo a cooperação na inserção ou re-inserção de tais indivíduos na comunidade quando possível, ou ainda, na adaptação individual e familiar quando as mudanças nas capacidades do paciente forem mais permanentes ou a longo prazo. Ainda no plano prático, fornece dados objetivos e formula hipóteses sobre o funcionamento cognitivo, atuando como auxiliar na tomada de decisões de profissionais de outras áreas, fornecendo dados que contribuam para as escolhas de tratamento medicamentoso e cirúrgico, excetuando-se as psicocirurgias, assim como em processos jurídicos nos quais estejam em questão o desempenho intelectual de indivíduos, a capacidade de julgamento e de memória. Na interface entre o trabalho teórico e prático, seja no diagnóstico ou na reabilitação, também desenvolve e cria materiais e instrumentos, tais como testes, jogos, livros e programas de computador que auxiliem na avaliação e reabilitação dos pacientes. Desenvolve atividades em diferentes espaços: a) instituições acadêmicas, realizando pesquisa, ensino e supervisão; b) instituições hospitalares, forenses, clínicas, consultórios privados e atendimentos domiciliares, realizando diagnóstico, reabilitação, orientação à família e trabalho em equipe multidisciplinar”. (Fonte: http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2007/09/resolucao2007_13.pdf)
Psicologia Jurídica
O Psicólogo Jurídico atua em instituições jurídicas nas áreas do Direito de família, na Justiça da Infância e Juventude e no Sistema Penal.
Suas ações envolvem:
Planejamento e execução de políticas de cidadania, direitos humanos e prevenção da violência;
Avaliação das condições intelectuais e emocionais de crianças, adolescentes e adultos em conexão com processos jurídicos, seja por deficiência mental e insanidade, testamentos contestados, aceitação em lares adotivos, posse e guarda de crianças, aplicando métodos e técnicas psicológicas e/ou de psicometria, para determinar a responsabilidade legal por atos criminosos;
Atuação como perito judicial nas varas cíveis, criminais, Justiça do Trabalho, da família, da criança e do adolescente;
Elaboração de laudos, pareceres e perícias, para serem anexados aos processos, a fim de realizar atendimento e orientação a crianças, adolescentes, detentos e seus familiares;
Orientação à administração e aos colegiados do sistema penitenciário para o estabelecimento de tarefas educativas e profissionais que os internos possam exercer nos estabelecimentos penais;
Atendimento psicológico a indivíduos que buscam a Vara de Família, fazendo diagnósticos e intermediando acordos familiares;
Participação em audiência, prestando informações, para esclarecer aspectos técnicos em Psicologia a leigos ou leitores do trabalho pericial psicológico;
Atuação em pesquisas e em programas sócio-educativos e de prevenção à violência, construindo ou adaptando instrumentos de investigação psicológica, para atender às necessidades de crianças e adolescentes em situação de risco, abandonados ou infratores;
Elaboração de petições sempre que solicitar alguma providência ou haja necessidade de comunicar?se com o juiz durante a execução de perícias;
Avaliação de periculosidade e outros exames psicológicos no sistema penitenciário, para os casos de pedidos de benefícios, tais como transferência para estabelecimento semi?aberto, livramento condicional e/ou outros semelhantes;
Assessoramento à administração penal na formulação de políticas penais e ao treinamento de pessoal para aplicá?las;
Realização de pesquisa visando à construção e ampliação do conhecimento psicológico aplicado ao campo do direito;
Atendimento e orientação a detentos e seus familiares visando à preservação da saúde;
Acompanhamento a detentos em liberdade condicional, na internação em hospital penitenciário, bem como no apoio psicológico à família.












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